Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya
Direção: Patty Jenkins
Estreia: 1 de junho de 2017.
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya
Direção: Patty Jenkins
Estreia: 1 de junho de 2017.
★★★★★
O primeiro filme solo da maior super heroÃna de todos os tempos. Entre muitos projetos de um filme solo da Mulher-Maravilha há alguns anos, o fracasso de todos nos levava a acreditar que talvez nunca verÃamos a heroÃna como ela merece nas telonas. Ainda bem que estávamos enganados. Um suspiro de alÃvio em termos de tudo que temos visto nos últimos anos nas adaptações de quadrinhos, e um alÃvio duplo por ser, finalmente, o grande acerto da DC Comics nas telonas. Mulher-Maravilha é graciosamente belo, fiel ao material fonte e perfeitamente um inÃcio de uma mudança de perspectiva relativa à visão de fortes mulheres protagonistas no cinema.
Diana Prince (Gal Gadot) é filha de Hipólita (Connie Nielsen) e uma guerreira amazona que, ainda em constantes confrontos e descobertas sobre si mesma, parte em busca da solução de um conflito no mundo dos homens que até então era irremediável: A Grande Guerra.
Há uma preocupação constante durante o longa em não só construir a heroÃna como conhecemos já em Batman V Superman, mas também em se aprofundar com delicadeza no passado das Amazonas e explorando a mitologia envolvida na origem da personagem de Gadot. A delicadeza, graça e beleza são fundamentais no filme, e conceitos importantes para a trama tanto nos momentos de construção da heroÃna como na solução visual para as cenas de ação que são executadas de maneira magnÃfica.
Não há preocupação em lidar apena com demasiado poder, mas sim no equilÃbrio, que faz da Mulher-Maravilha um sÃmbolo também de lutas no mundo real. Há uma graciosidade no uso das armas, na fala, nos olhares, que partindo de uma deusa, criam a aura da perfeição e da harmonia na personagem de maneira crÃvel e confiante. Isso faz da atuação de Gadot o maior e melhor atrativo do filme. A atriz transcende a beleza fÃsica como fim em si mesma para uma interpretação de busca constante entre o equilÃbrio de poder e força com amor e graça.
A relação com Chris Pine não é só romântica. É bem construÃda como primariamente uma ponte entre o mundo das Amazonas e o mundo dos homens. O humor é natural e de maneira nenhuma forçado entre as duas personagens, dinamizando alguns momentos do filme que requeriam um algo a mais, geralmente onde o roteiro tropeça. Apesar disso, Steve Trevor é o galã corajoso que foge do estereótipo do homem protagonista num filme de ação. Ele se vê perdido, confuso com Diana e revelando uma natureza mais realista, ao passo que a própria Diana também aprende com ele, fazendo com que esta relação seja totalmente crÃvel e passe ao espectador um sentimento de importância com ambos.
O elenco de apoio tem seus momentos mas são de alguma maneira desperdiçados, há muito potencial não explorado. O terceiro ato tem seus problemas principalmente com o vilão Ares e, bem... Para efeitos de entender a importância desse filme como um todo, é necessário ignorar a subtrama da revelação do grande vilão do filme além de sua participação vexatória. Em tempos de péssimos vilões em adaptações de HQs para o cinema, esse é apenas mais um, seguindo o "padrão". É muito mais urgente aqui a visão de Patty Jenkins da heroÃna que retrata algo nunca antes visto ao entregar a Mulher-Maravilha que todos nós querÃamos e precisávamos, em um tempo onde já se discute a saturação do gênero de super heróis nos cinemas.
A êxtase otimista do filme é o seu ponto forte, mesmo levando em consideração os problemas estruturais e técnicos com o longa, que são poucos. De maneira alguma Mulher-Maravilha deve ser considerado apenas mais um filme de super heróis com explosões e frases de efeito. É um filme sobre entendimento de si próprio, escolhas, um claro dualismo entre natureza e graça e com certeza, acima de tudo, sobre o amor. Definitivamente, uma obra onde seus defeitos não tiram de foco um filme cheio de ação e excelentes atuações, além de trazer para os fãs e para o público em geral a representatividade de uma protagonista forte, que inspirou e continuará inspirando mulheres de todos os lugares.
